No Fla, o gerente é demitido pelos gerenciados

Publicado  sexta-feira, 25 de maio de 2012

Jairo dos Santos achou que poderiam regular jogadores com uma cartilha de boas maneiras. Eu, você e outras pessoas que não trabalham no Flamengo tem o direito de achar isso ridículo, leviano e insuficiente. Os atletas, subordinados aos poderes do clube, não. Infelizmente, segundo este post, não foi o que houve.

Não acaba por aí, o próprio profissional, que saiu do clube após três meses sem sequer receber salários, coloca bem um problema estrutural da gestão Patrícia: "Quando não existe norma não há como fazer as coisas por obrigação. Como posso pedir para que Ronaldinho compareça aos eventos do clube se não há uma norma?"

E como pedir para o clube ser organizado se nem mesmo os dirigentes levam a disciplina sério? Esse é o Flamengo de Patrícia Amorim, eleita porque seria diferente dos dirigentes do passado apenas para se demonstrar pior do que quase todos. É nesse Flamengo, melhor time do Brasil em 2009 e quarta força do Rio de Janeiro hoje, em que todos mandam e não há dinheiro ou razão. Uma pena.

Post do Leitor: Ela vai estar em boas mãos!

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* Por Bruno Henrique de Melo Nogueira

A Copa Santander Libertadores chega a sua semifinal mostrando a grandeza do futebol. Qual o outro esporte que reúne numa semifinal de um torneio continental quatro equipes com realidades, proposta de jogo, filosofias tão diferentes? Nem  parece que praticam o mesmo esporte.

É muito mais fácil encontrar diferenças do que semelhanças entre os quatro postulantes ao título de Maior das Américas de 2012. Então vamos a elas:



 Apesar dos protestos exaltados do Grande técnico Tite, o Corinthians é o Chelsea das Américas, ou pelo menos é possível encontrar mais semelhanças neste dois modelos do que comparando  a equipe inglesa a qualquer outra do futebol do Novo Continente. O Corinthians é o novo rico, assim como o Chelsea, confia mais na defesa que no ataque, não tem tradição e nunca ganhou este título em sua história, tem um volante como arma principal e tem no contra-ataque sua principal arma, mas se precisar vai pro abafa e pode decidir numa bola parada. Como modelo de negócio, o Corinthians injeta dinheiro no elenco, tem um time envelhecido, mas de jogadores consagrados, mesclando a juventude de jogadores que podem fazer história tanto no clube, quanto na Seleção.


O Santos é o modelo mais arrojado de gestão dos quatro finalistas. Depois de dizer um grande NÃO aos mais ricos clubes do mundo, o Santos apostou que Neymar, Ganso e Cia poderiam render mais que milhares de euros, poderiam entrar para a história e trazer de volta o clube da Vila ao seu posto de eras passadas, quase que perdidas no tempo: O Santos quer ser o melhor do Mundo. Este título consagraria a trajetória promissora do inexplicável Neymar, inexplicável mesmo porque pode-se esperar tudo desse menino não tão franzino e com um gosto bem discutível sobre cortes de cabelo, ele pode acabar sozinho com uma final, mas pode sumir sem deixar pistas em campo, é gênio e como tal incompreendido.


Se o Santos impressiona no modelo de gestão, a equipe de Sampaolli não fica muito atrás, La U conseguiu o que muitos pensaram que era impossível. Como competir com equipes milionárias no Brasil e equipes tão tradicionais no resto da América Latina?! Os chilenos provaram que o modelo Catalão não só é de sucesso, como não precisa ser aplicado apenas em equipes multimilionárias. La U aumentou o investimento nas suas categorias de base em 33%, começou a pescar jogadores jovens de clubes pequenos e trouxe mais um discípulo do Loco Bielsa, (este talvez mais discípulo que o próprio Guardiola, pois até se comportar como Louco o Sampaolli faz). La U se vencer a Libertadores pode, depois de ganhar seu 1º título sul-americano ano passado, derrubar o maior paradigma do futebol  moderno que diz que  pra ser um grande campeão precisa ser rico.

O Boca é o paradoxo apaixonante do futebol! Modelo de gestão?! O Boca tem sérias dificuldades de manter um grupo envelhecido e poucos dos seus jovens estão tendo a oportunidade de brilhar, o clube quase foi rebaixado, seu grande rival caiu pra 2ª divisão argentina, o país está em crise, o futebol não consegue segurar suas revelações e seu grande camisa 10 balançou e quase saiu no fim da última temporada. O Boca é a camisa! É um clube copeiro, é o exemplo de que no futebol nem sempre o melhor, o mais rico, o time com os melhores jogadores vencem. O Boca provou isso contra o time do Poderoso Celso Barros, O Boca jogou como se tivesse a certeza que sairia classificado contra o Fluminense, só precisou de uma bola, mas parece que quando é para o Boca na Libertadores a bola insiste em entrar , mesmo sem explicação .

Então é isso, o futebol está muito bem servido de opções nestas semifinais. Agora se você não é torcedor de um dos quatro, mas curte futebol, é só escolher a opção que mais te agrada e a festa estará garantida.


Santos: pior ou melhor para o Corinthians?

Publicado  quinta-feira, 24 de maio de 2012

Com a exceção do Palmeiras de 99, o mais gaúcho dos times alviverdes, o Corinthians sempre penou contra adversários e juízes sul-americanos. Como outros times brasileiros. Jogar contra o Santos de Neymar pode tornar o caminho do timão mais fácil?

Na teoria, Tite e seus comandados não vão sentir a pressão de uma competição sul-americana contra um rival brasileiro. E é bom lembrar: o Corinthians é o campeão nacional. Ao mesmo tempo, é um clássico onde tudo pode ocorrer inclusive dois times tão equivalentes, mas o Santos, com o fora de série Neymar mas sem o maestro Ganso, não passar. E se há necessidade de motivação extra a eliminação nas semifinais do campeonato paulista chega de bônus.

Por outro lado, é difícil ter Neymar no seu caminho e se aliviar com isso. Cabe ao Corinthians do limite, encarar a Libertadores com a mesma determinação, mas com a calma que encarou o Brasileiro do ano passado. E ao Santos cabe jogar seu melhor futebol, o que não conseguiu contra o Velez. E essa é mais uma esperança para o time do Parque São Jorge: o Alvinegro praiano que venceu nos pênaltis, dificilmente passaria pelo Timão.

Eliminação do Vasco? Previsível... E não é vergonha

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Rodrigo Caetano já dizia em 2011: o Vasco não teria time para vencer a Libertadores este ano. Normal. Conquistas desse gênero dificilmente se dão ao acaso, mas são resultados de um longo planejamento ou de uma geração prodigiosa (como era o caso do time de 98). A saída do Vasco era esperada a partir das quartas de final, que não conseguiu passar. E isso não significa nenhum problema.

Cabe ao presidente Roberto Dinamite manter a base e fortalecer o Vasco olhando para um horizonte longo. O Corinthians vem desde 2010 participando da competição para chegar ao seu momento mais forte nela. Com uma Copa do Brasil no bolso, uma eliminação nas quartas da sul-americana e um vice-campeonato brasileiro jogando no limite, o Gigante da Colina tinha um time para chegar até as quartas. Qualquer coisa que viesse além, seria lucro. Se não veio, não pode reclamar de prejuízo.

A caravela vascaína navegou firme e sem fazer feio na competição. É seguir seu rumo em busca da classificação para a Libertadores 2013.

A Vitória com a cara do Corinthians

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Será corintiano ganhar com um gol aos 42 minutos? Ou é vencer após o rival perder um gol feito, quase transformando o líder Alessandro em vilão? Não. Nada disso é mais corintiano do que ver o técnico, expulso (justamente) do campo, ir assistir o jogo da arquibancada e comemorar com torcedores.

Troféus são marcados por momentos em que todo torcedor lembra. "Ali eu passei a acreditar". Ou seja, segundos em que parece que Deus olhava por aquele time como se dissesse: "é a  vez de vocês". O Corinthians já levou mais de 20 anos para sentir isso. E espera mais de cem por ter essa sensação em uma competição sul-americana.

É difícil não pensar nisso ao ver uma vitória tão dramática e com uma imagem tão bonita. Nas semifinais, o Corinthians vive seu melhor momento da competição. Será o suficiente para vencê-la? Não duvide.

Flu é mais um a aprender: o Boca é grande!

Publicado  quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Fluminense descobriu do pior jeito que para vencer a Libertadores muitas coisas são necessárias. Saber disputá-la é a primeira delas e poucos times conhecem esse expediente como o chatíssimo Boca Jrs., capaz de uma vitória no último minuto contra o time de guerreiros.

Você pode falar do erro em Abel em escalar o veterano Deco em uma final de um campeonato já resolvido ou comentar os gols perdidos. São erros difíceis de se desculpar e que explicam a eliminação, mas ainda é pouco. Resumidamente: o Boca é grande e, quando se fala em competições sul-americanas, maior do que qualquer time brasileiro em jogos decisivos.

Mais do que um ótimo elenco, técnicos e infraestrutura, a competição exige brio. Huevos. Com seu pior time em uma década, o Boca ainda se garante na força. Azar do Flu e do Brasil.


O efeito Leão

Publicado  segunda-feira, 21 de maio de 2012


Trabalhei em uma redação onde o presidente da empresa gostava de jogar uma sucursal contra a outra, sempre promovendo a rivalidade interna. Muita gente acha que isso não dá resultado, mas é bobagem. A curto prazo todo mundo se supera com a intenção de provar para aquele babaca que é melhor e de calar a boca daquele supervisor imbecil e por aí vai. A médio e longo prazo, é um desastre. Ninguém aguenta esse clima de tensão, as pessoas começam a se nivelar cada vez mais por baixo (até que o "líder" interceda e crie novo conflito) e todo mês tem alguém saindo para um local mais tranquilo.

Por motivos diferentes, é assim que Emerson Leão vê o seu trabalho. Ele proíbe que atletas joguem sinuca, manda concentrar mais cedo, pilha os jogadores e raramente dá carinho, vira a cara para dirigentes e, invariavelmente, promove confrontos com a imprensa. É a sua vocação.

A idéia é sempre deixar todos com o nível máximo de tensão, raiva e fome. A curto prazo é um sucesso. Os acomodados são isolados e pedem pra sair e quem está motivado, come a grama pra ganhar a vaga no sangue e suor. Mas a médio e longo prazo o final é sempre ruim. O São Paulo já sente os efeitos de um técnico limitado com um ou outro bom trabalho. Todos nós sabemos como essa história termina: sem que ninguém mais aguente.